47 Ronin

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~ Um Pedacinho do Japão em Hollywood ~

Cada vez mais, o Japão e sua cultura vêm sendo abordados nos filmes hollywoodianos (alguns temas muito interessantes!!). Não podíamos deixar isso passar batido! Afinal o que está relacionado com os atores doramáticos e o Universo da Terra do Sol Nascente, tem a ver conosco também! Vamos aprender com o que esses filmes têm de bom para nos ensinar?

Recentemente, o cinema norte-americano lançou um filme intitulado 47 RONIN (2013, Universal Pictures), baseado em um fato verídico e que faz parte da história do Japão. Logo, como em qualquer lançamento, opiniões opostas surgiram (mais críticas negativas do que positivas). Na dúvida, decidi assistir. Fiz bem. Concordo que foi muito fantasiado para ser um assunto tão sério. Monstros e feiticeiras surgiram. Mas o que me chamou a atenção foi a estória-base. E, para os amantes da cultura japonesa, é um filme que vale a pena.

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Na história (real) do Japão, ente 1701 e 1702, os samurais eram soldados refinados, mega habilidosos e eram extremamente fiéis ao seu mestre. Tais samurais eram divididos em grupos liderados por senhores feudais, que por sua vez obedeciam cegamente a um xogum com poder absoluto (na época, um homem chamado Tokugawa)¹. Tokugawa, muito esperto e com medo de perder seu poder, criou um regulamento muito rígido: os senhores feudais, num intervalo de um ano, deveriam visitar o Castelo de Edo (atual Tóquio). Com tal visita, eles acabavam gastando muito dinheiro e era quase que impossível os senhores feudais acumularem riqueza e planejarem algum golpe contra ele ¹’².

Num desses eventos anuais no Castelo de Edo, houve um desentendimento entre dois senhores feudais: Asano, que comandava o feudo de Ako, e Kira (com fama de corrupto e arrogante), que comandava Nagato. Em um ato desonesto da parte de Kira, Asano foi humilhado em público e desembainhou a espada. No entanto, o ato de tirar a espada para combate era algo proibido dentro do castelo de Tokugawa. O castigo a Asano foi a morte por seppuku (harakiri, ato honroso de tirar a própria vida). Totalmente desamparados e revoltados, os servos de Asano (agora, ronins –  samurais sem senhor feudal) não se conformaram com tamanha injustiça e decidiram vingar a morte de seu mestre. Sabendo que os servos de Asano iriam matá-lo, Kira armou uma forte proteção em sua província.

47 ronin, reunindo-se.

Um grupo de 47 ronins, sob comando de Ooishi Kuranosuke, esperam durante quase dois anos para que Kira baixasse a guarda de seu feudo. Em 14 de dezembro de 1702, os ronins atacaram Kira e o obrigaram a cometer seppuku. Negando tal fim, Kira teve sua cabeça cortada com a espada de Asano. Com a cabeça de Kira, os ronins desfilaram pelas ruas de Edo até chegar no Sengakuji, aonde estava o túmulo de Asano.

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Os ronins lavando a cabeça de Kira, para colocar no túmulo de Asano (foto acima).

Tal ato de vingança foi visto pelo povo como uma bela forma de demostração de fidelidade, e foi pedido o perdão dos 47 ronins. Mas matar um governante era algo imperdoável, e, como já previsto, todos foram condenados à morte (inclusive o filho de 17 anos de Ooishi). Para terem uma morte honrosa, em 4 de fevereiro de 1703, todos cometeram seppuku ¹.

E é exatamente esse trecho da história japonesa que é retratada no filme hollywodiano 47 Ronin (com toques americanos, obviamente). No longa-metragem, o protagonista é um rapaz chamado Kai (interpretado por Keanu Reeves). Criado por um Tengu*, ele fugiu de onde vivia e foi encontrado na floresta por Asano. O senhor feudal viu algo especial nele e resolveu protegê-lo em seu feudo. Quando Asano foi morto, Ooishi Kuranosuke (interpretado por Sanada Hiroyuki, de O Último Samurai), contou com sua grande ajuda na busca pela vingança, fazendo de Kai um dos 47 ronins.

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Os atores japoneses fizeram bem seus papéis! A única coisa estranha foi vê-los usando a língua inglesa, sendo que o ocorrido foi no Japão.  Vale a pena assistir, também, para ver a fofa atuação de Akanishi Jin (ex-KAT-TUN) como Tikara, filho do líder Ooishii.

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E, é claro, tem uma estória de amor entre Kai e Mika, filha de Asano (nossa querida Shibasaki Kou).

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Foi ótimo ver a atuação de algumas figurinhas carimbadas do cinema e do mundo doramático. Sem falar no fato de que o filme despertou em mim uma curiosidade por esse episódio da história. Resolvi então, na viagem que fiz ao Japão, incluir uma visita ao túmulo dos 47 ronins. Pois é, os túmulos realmente existem! E ficam em Tóquio, no pequeno Templo Sengakuji. A sensação de estar frente a frente com algo que até então era nada além de uma estória contada é muito estranha. É um “uau” assustador e ao mesmo tempo magnífico. Avistei somente alguns estrangeiros visitando o local, que, como eu, deveriam estar lá por causa do filme…rs (só acho… 😉 ).

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No templo e nas lojinhas ao redor vendem-se postais com imagens dos túmulos, chaveiros, toalhinhas e muitas outras lembrancinhas do local. Na foto abaixo, um conjunto de postais, o mapa dos túmulos indicando aonde está enterrado cada ronin e o chaveiro com o brasão da família Ooishi. A ficcção tornando realidade… indico!

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Para quem não assistiu o filme ainda, veja o trailer:

Ah! Um adendo: * Tengu  não é uma invenção americana; é um ser sobrenatural que faz parte da mitologia do Japão. Diz-se que Tengu é uma divindade menor que tem uma aparência de ave e ser humano. Mora em florestas e cavernas das altas montanhas e tem fama de enganador. Fala-se ainda que tem um ótimo senso de humor e adora pregar peças. Além disso, esconde misteriosamente seres humanos que, quando voltam para casa, parecem loucos ³ (acho que seria o caso de Kai, não é?! ).

Com certeza, é um filme que retrata o quão fiel era um samurai a um mestre e como a coragem, a honra e o senso de justiça faziam parte desses homens que marcaram a história do Japão. Podemos falar que realmente um pedacinho desse país foi mostrado em Hollywood (fantasiosamente, mas está valendo!).

 

 

Referências Bibliográficas

¹ Sato, Cristiane A. JAPOP – O Poder da Cultura Pop Japonesa. São Paulo: NSP-Hakkosha,2007.

² Keizi, M. Musashi, o samurai indomável. São Paulo: EM,2007.

³ Daivis, F.H. Mitos e Lendas do Japão. São Paulo: Landy Editora, 2004.

  • RMY

    Olá! Assisti esse filme e gostei dele! Mostra um pouco da cultura japonesa (honra, cumprimento da palavra). Não retrata fielmente a história, mas para quem gosta da história do Japão, é um bom filme para assitir!

    • sayurine

      Olá!! Realmente vale a pena! Obrigada pelo comentário!

  • Hana

    Confesso que assisti esse filme somente porque o Jin ia aparecer (ele é meu ichiban, não podia perder o filme de estréia dele em Hollywood). Quando eu vi que ele faria esse filme, pirei!!! Mas realmente acreditei que ele faria um papel não muito significante e mal apareceria. O filme só me surpreendeu de formas positivas!! Primeiro, por eu estar errada quanto ao personagem do Jin e ele aparecer em muuuuuuitas cenas, adorei a atuação dele, e já assisti milhões de vezes não só para vê-lo mas porque realmente gostei muito da história dos 47 ronins que eu já tinha ouvido falar, mas não sabia muito. Gostei tanto que hoje tenho o DVD e o livro kkkkkkkkkkkkk
    Na verdade, vim comentar aqui não só pelo filme, mas pra falar que me identifiquei muito com você.
    Eu também sou nutricionista formada há 1 ano (infelizmente, ainda não estou atuando na área T-T) e também sou uma adoradora da cultura japonesa. Super fã dos jimushos também XD (mas meus grupos favoritos são KAT-TUN e NEWS) e doramas são amor!! kkkkkkkkkk
    Adorei o site!! Eu não conhecia ainda, achei pesquisando sobre um dorama no Google.
    Acompanharei sempre suas postagens!!

    • sayurine

      Olá!! Foi exatamente o que achei: me surpreendi com o filme e com a atuação de Jin (na verdade, foi o primeiro papel que vi dele!), além de aprender muito com a história! Obrigada pelo comentário…e é muita coincidência, né?! 😀 A área de Nutrição não é muito fácil, mas acredito que cada vez mais estão aprendendo a valorizar a profissão! Gambarê!

      Espero sua visita, sempre! Bjão!